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Pequenas indagações

Engraçado como algumas imagens se transformam em um palco iluminado para muitas das minhas divagações. Nessas horas eu vejo que hoje em dia fotografo muito mais para uma realização pessoal e para o meu autodesenvolvimento do que qualquer necessidade externa.

Essa fotografia foi feita enquanto eu andava pelas ruas de San Francisco, era a minha primeira vez visitando a cidade e sabe como é, quando a gente viaja e sai da nossa rotina, os olhos ficam mais curiosos e atentos e toda aquela novidade acentua nossa percepção do lugar e, se tivermos sorte, de nós mesmos também.  Lá estava eu aproximando-me do turístico Pier 39 quando vi esse garoto correndo determinado em direção ao que parecia ser seus sonhos. Sua sombra, perfeitamente projetada na parede e no chão o seguia e por pouco, muito pouco não o alcançava.

No mesmo chão estava também a minha sombra que ironicamente se unia a uma outra fotógrafa que parecia encontrar nas alturas algo que a interessava mais do que todo aquele movimento.

Posso dizer que tempos depois quando abri essa imagem pude ver grande parte dos meus últimos anos de um saudável conflito com a fotografia. Buscando sempre algo distante enquanto bem perto de mim – no agora – a vida corria cheia de elementos, cores e nuances . É claro que depois de tantos anos dedicados à essa maneira de ver o mundo eu entendo que a fotografia é o exercício constante de fazer escolhas, perder incontáveis momentos enquanto justamente procuramos registrar outros, definir os entornos numa poética tentativa de encontrar equilíbrio no caos da vida, mas tem horas que a própria vida é muito maior que essa relação pessoal com o exercício de ser fotógrafo.

Talvez seja por isso que depois de uma longa pausa estou conseguindo aos poucos ser menos fotógrafo, ainda que eu fotografe todo o tempo e faça da fotografia grande parte dos meus projetos presentes e futuros. Por causa de um distanciamento opcional, hoje consigo ver a fotografia apenas como a minha ferramenta preferida para dizer o que quero, meu brinquedo para apaziguar e enganar o passar do tempo e não mais como uma maneira de definir o que sou. Acho que com a experiência e uma pitada de sabedoria depois de tanta observação do mundo a gente vai aprendendo a deixar as sombras para trás. Quem sabe talvez reconectando-se com o menino correndo atrás dos sonhos com energia de sobra para ir em direção ao que quer, sem muita preocupação com o que os outros irão pensar de nós. 

Meu desafio constante vai continuar sendo ater-me no agora. E talvez usar esse princípio mágico de poder congelar um instante presente para sempre e aprender a interpretar os obstáculos como sendo a luz guia de um caminho novo.

 

julho 15, 2015

Barista Portrait

outubro 29, 2016

Retrato e paisagem.

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