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Retrato e paisagem.

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Certos retratos valem mais que uma paisagem. E de certa maneira gosto de pensar que o rosto de uma pessoa sempre carrega os lugares por onde ela passou.

Eu fui até a praia para ver uma formação rochosa. O pôr do sol estava próximo, a luz continha o tipo de beleza que silencia ao mesmo tempo que nos ilumina. Vi de longe as enormes pedras e fotografei do ponto alto onde estava, os raios de sol rapidamente se despediam bem na minha frente. Eu que atualmente ando fascinado por carros, coisa que nunca fui, percebi um belo carro antigo estacionado. Chevrolet Impala 1960′. Forte, cheio de marcas do tempo, mas debaixo da luz alaranjada do pôr do sol, era uma coisa linda de ver.

Ao lado do carro estava seu dono olhando em direção ao mar. Ele não tinha expressão de muitos amigos mas numa fração de segundos eu, que via mais verdade no rosto do sujeito do que na paisagem turística, dei as costas para o sol e decidi ir em busca do retrato. Talvez pela naturalidade e surpresa do pedido ou da notável honestidade sem preconceitos, Robert aceitou ser fotografado. Entrou no carro, pousou orgulhoso, olhou para câmera e o sol fez o seu papel.

Agradeci satisfeito, dei meu cartão, me despedi e segui rumo à praia. Deixei as ondas molhar meus pés e roubei em poucos clicks os últimos suspiros daquele entardecer. As imagens foram belas, fizeram valer a viagem.

Dias se passaram e o retrato chegou até as mãos do retratado, ele gostou bastante, enxergou valor, perguntou quanto e como poderia me pagar. Nada cobrei, foi suficiente para mim saber que ele se viu maior naquela imagem. A experiência porém, permaneceu comigo por mais tempo. Primeiro por que retratar alguém e conseguir capturar algo além do superficial é, dentro do universo da fotografia, uma das coisas que mais me encanta. Em segundo lugar por que me fez analisar a minha coleção de imagens dos últimos longos anos e perceber: o contentamento que o retratar me traz não é nem de perto proporcional à quantidade de retratos que tenho no meu portfólio. E não é por falta de vontade ou oportunidade.

Curiosamente na semana passada, durante uma intensa sessão de coaching com uma fotógrafa e amiga discutimos essa muitas vezes “disritmia” diante daquilo que queremos e precisamos fazer para alcançar nossos objetivos. É curioso como a gente muitas vezes evita fazer o que nos faz bem ou mesmo aquilo em que somos bons, seja na fotografia ou em qualquer aspecto da nossa vida. Somos extremamente talentosos em criar desculpas para seguir um caminho diferente daquele que sabemos ser o melhor para nós. Medo do fracassso? Seria medo da enorme probabilidade de sucesso?

Em um mundo com tantas distrações e pequenos prazeres é extremamente fácil deixar para depois qualquer atitude que nos force a sair da famosa zona de conforto. É claro que é mais fácil ficar debaixo do edredon em dia nublado do que sair para cumprir a promessa que você fez a si mesmo de dar continuidade em um projeto no qual acredita. Não que seja uma constante autossabotagem como de vez em quando a gente pensa, mas na verdade o que precisamos é simplesmente constatar que para uma verdadeira mudança acontecer, ou algo novo ser criado é preciso existir um movimento transgressor e rebelde que nos força e provoca a seguir adiante. Nada vem do acaso. Tudo é fruto de constante trabalho.

Então aqui deixarei um conselho para mim mesmo, que com certeza servirá para muitos dos amigos que me acompanham: Fuja do mesmo e faça o que você já sabe que deve fazer para conseguir chegar onde quer. E vez ou outra abraçe os sacrifícios que alguns sonhos exigem antes de florescer.

 

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